Raciocínio indutivo: o que é o pensamento indutivo (com exemplos)

Atualizado em: 29 de março de 2023

O raciocínio indutivo é aquele que se utiliza de fatos específicos para tentar provar uma conclusão geral. É, basicamente, um método que se utiliza de verdades conhecidas até o momento para criar uma regra geral que sirva para diversas situações. Por exemplo: ao afirmar que todas as pessoas que nasceram morrerão, nós nos baseamos no fato de que até o momento ninguém se tornou imortal. Isso é a forma mais básica de um pensamento indutivo. Portanto, esse pensamento baseia-se em experiências anteriores para sustentar uma conclusão.Para compreendermos o raciocínio indutivo em sua essência, é importante ter cuidado com a semântica das palavras. Esse pensamento não está associado com a palavra indução no sentido de inspiração, provocação ou causa de algum fato.
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O raciocínio Indutivo é uma generalização

Esse tipo de raciocínio pode ser considerado uma generalização, pois comumente passamos por cima de particularidades de situações para chegar a uma conclusão geral sobre determinado assunto.Imagine o seguinte exemplo: um cidadão estrangeiro vem ao Brasil a convite de amigos que gostam de futebol. Ele, então, participa de uma partida com esses amigos e vê a habilidade deles no esporte.Depois, vai a um estádio, acompanha um jogo ao vivo e vibra com a torcida. E, então, ao voltar para o seu país, conclui que todos os brasileiros são bons jogadores e adoram futebol.Perceba que as conclusões se baseiam em duas experiências com poucas pessoas: os amigos que gostam de praticar futebol e os torcedores dentro do estádio, ou seja, duas situações particulares.A conclusão, ao contrário, é geral ao dizer que todos os brasileiros gostam de futebol.Essa estrutura de utilizar-se de afirmações particulares para se chegar a uma conclusão geral é característica do raciocínio indutivo.

A força do raciocínio indutivo

Este tipo de raciocínio adquire maior ou menor credibilidade dependendo da veracidade e quantidade de afirmações particulares utilizadas.No mesmo exemplo, é claramente precipitado concluir que todos os brasileiros gostam de futebol apenas por ver um estádio cheio e amigos habilidosos. Mas, se fosse realizada uma pesquisa com mais pessoas de diversas idades e regiões, seria possível obter dados que ajudariam a comprovar a teoria.O potencial de um argumento indutivo para que se torne verdade está totalmente baseado na legitimidade proposta pelas afirmações que dão base à teoria.

Raciocínio indutivo com conclusões falsas

O raciocínio indutivo é um artifício muito utilizado e de grande valor no cotidiano, no entanto, não pode garantir que suas conclusões levem à verdade, por mais que as afirmações que sustentam o discurso sejam verídicas.Um exemplo comum é o do fazendeiro que alimenta suas galinhas diariamente. As galinhas, ao longo do tempo, passam a acreditar que o fazendeiro é algo bom, pois sempre que ele aparece joga comida para elas. Não raro, as galinhas se aglomeram assim que veem o fazendeiro se aproximando. Isso se mantém como verdade absoluta para as galinhas, até que um dia o fazendeiro constata que elas adquiriram o peso ideal e todas viram comida em uma prateleira de supermercado.As galinhas tiveram um raciocínio indutivo válido: o fazendeiro de fato estava ali para alimentá-las, no entanto, esse raciocínio não tinha como garantir a verdade de que isso ocorreria para sempre.

Aplicação prática de raciocínio indutivo

O raciocínio indutivo, explicado de maneira didática como mostrado acima, pode levar à conclusão errada de que é um método de pouca utilidade. Isso não é verdadeiro.O raciocínio indutivo é muito utilizado nas pesquisas realizadas pelas ciências naturais, especialmente quando combinado com técnicas de estatística e experimentação. Normalmente, a utilização do raciocínio indutivo em uma pesquisa científica segue a seguinte ordem de pensamento: observação, hipótese, experimentação, análise de dados e conclusão ou generalização.Isso vale para as ciências naturais e também é muito usado em amostragem matemática e na física, em que os cientistas buscam alternativas para provar suas teorias.

Aplicação no trabalho

O raciocínio indutivo no ambiente de trabalho pode ser observado em diversas ocasiões em que tomamos como verdade uma situação com base em pensamentos de fatos ocorridos anteriormente. E isso pode ser uma armadilha mortal para o surgimento de ideias inovadoras, comprometendo até mesmo a adaptação da empresa às constantes mudanças do mercado e sua sobrevivência.Um exemplo que acontece com bastante frequência é quando um gestor ou líder já elimina uma ideia de sua equipe por considerar, baseado em experiências frustradas anteriores, que aquele caminho não é o mais adequado a seguir, sem sequer observar com atenção as propostas sugeridas.Esse tipo de abordagem muitas vezes tende a ser desastroso para a produtividade da equipe, pois inibe o pensamento criativo e elimina o ambiente de debate de ideias.Dessa forma, o raciocínio indutivo evidencia que pessoas com poder de decisão devem ser mais cautelosas em seus julgamentos para não caírem na armadilha de chegar a conclusões precipitadas e terem de se desgastar para conciliar as ideias em um plano de ação efetivo.

O raciocínio indutivo na prática

Visto tudo o que foi mencionado, pode parecer que o raciocínio indutivo só tem valor em determinados ramos do conhecimento, mas você mesmo já foi impactado diversas vezes por um discurso indutivo e nem percebeu. Isso porque o raciocínio indutivo é frequentemente utilizado sob o nome de discurso de autoridade.O raciocínio indutivo, nesse caso, opera de maneira a utilizar todo o conhecimento de um indivíduo ou uma instituição sobre determinado assunto para sustentar o que se quer dizer. A mecânica dessa técnica é a seguinte: a fonte citada tem diversas afirmações válidas sobre o assunto, então é fácil concluir que qualquer opinião dela com relação a esse ramo de conhecimento é potencialmente válida.Soou familiar? Claro que sim. Esse é o principal artifício utilizado durante a produção de um artigo científico na escola ou universidade quando fazemos a citação de um autor ou uma obra para corroborar um pensamento ou tese que queremos defender. Por essa razão, é importante utilizar a citação de maneira correta em todos os documentos que produzimos.

Raciocínio indutivo para gerar lucros

Em um primeiro momento, pode parecer estranho como essa estrutura de pensamento pode gerar lucros. No entanto, o uso de autoridade para induzir as pessoas a conclusões é uma das técnicas mais antigas da publicidade. Ele se vale do prestígio que uma figura de autoridade tem aos olhos de determinada parcela da população para direcionar o apreço que as pessoas sentem por essa figura de autoridade a um produto ou serviço.Isso pode ter um efeito positivo para a marca tanto no aspecto emocional quanto no aspecto lógico, quando uma celebridade ou autoridade em algum assunto endossa um produto e/ou serviço diretamente relacionado ao campo de conhecimento que torna essa pessoa uma autoridade. Por exemplo: quando um famoso jogador de futebol aparece falando bem de uma determinada marca de produtos esportivos. Isso faz sentido, e o pensamento indutivo aqui leva a uma conclusão verdadeira de que uma pessoa com excelência no esporte tem capacidade de endossar um produto que faz parte do seu cotidiano.

Raciocínio falso

Por outro lado, muitos esforços de marketing se utilizam de celebridades para endossar produtos que estão muito distante da realidade dessa pessoa, tornando o raciocínio indutivo falso, pois a figura que sustenta o discurso pouco ou nada tem a ver com o que está sendo anunciado.Por exemplo, quando uma celebridade que notadamente não tem nenhuma afinidade com serviços domésticos é usada para vender produtos de limpeza. Seguindo o pensamento indutivo, não é possível achar correlação entre o que tornou essa celebridade uma autoridade e o fato de um produto de limpeza ser melhor que os outros. Mas, de qualquer forma, a publicidade continua eficiente, pois o produto se apoia não nas competências da celebridade, e sim no fator emocional de ter a oportunidade de usar um produto que aproxime o consumidor de algo que essa celebridade usa e aprova.Quando um profissional de publicidade pretende utilizar essa técnica, é preciso ter extremo cuidado em avaliar a figura de autoridade em questão, pois, assim como a celebridade pode emprestar sua empatia para o produto, a mesma coisa vale para seus deslizes na vida pessoal. Em geral, o raciocínio indutivo é um grande aliado para gerar conclusões e alimentar discussões no ambiente corporativo, mas é preciso ter não apenas ele como fonte de informação, pois como vimos acima é muito fácil incorrer em erros cuja correção poderá exigir muito esforço de equipe. E mais esforço significará tempo e custos adicionais.
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